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Presidente José Maria
é entrevistado pelo INR
Por Ailton Fernandes, no Boletim Eletrônico INR em
18/11/10
Hoje é Dia do Notário e do
Registrador. A data marca o dia em que o então Presidente da República,
Itamar Franco, assinou a Lei nº 8.935, de 18.11.1994, que regulamentou o
artigo 236 da Constituição Federal que trata dos serviços Notariais e de
Registro. Para homenagear a classe, neste 16º aniversário da LNR, o “Boletim
Eletrônico INR” conversou com o Doutor José Maria Siviero,
titular do 3º Registro de Títulos e Documentos da Capital. Simplesmente, o
operador do Direito que mudou a história dos cartórios de Títulos e
Documentos, deu mais dignidade à classe e tornou-se uma das personalidades
mais importantes dos serviços extrajudiciais do País.

Nesta entrevista exclusiva
de quase três horas, Siviero passa a limpo sua vida profissional desde
quando aceitou a função de office-boy do 3º RTD, há 44 anos. Fala
dos cargos que ocupou até conquistar a titularidade da Unidade, da
fundação da Associação dos Serventuários da Justiça do Estado de São Paulo
(hoje ANOREG São Paulo), da criação do IRTDPJ Brasil, da luta para
divulgar a atividade, das inovações, percalços e faz uma advertência: o
registrador tem que tirar a “bundinha” da cadeira para crescer e
prosperar.
Confira os trechos
principais da entrevista:
P – Como o senhor
ingressou para o quadro de colaboradores do “cartório”?
R – Eu estava no
segundo ano do curso de Direito na Faculdade do Largo São Francisco no
período da manhã e precisava arrumar um emprego de meio período. Então, vi
um anúncio no jornal “Diário Popular” (guardado até hoje como um troféu).
Horário meio-período (12 às 18 horas). Tinha uma fila imensa de garotos.
Era 1º de fevereiro de 1966 e a remuneração estava fixada em um salário
mínimo. Ganhei a vaga. Eu fazia tudo. Levava livro no fórum, levava e
buscava documentos. Com o tempo, fui entendendo o que é cartório.
P – Quais os cargos que
o senhor ocupou no “cartório”?
R – Comecei como
auxiliar. Depois de dois anos, passei para terceiro escrevente. Em 1970,
quando me formei, passei para segundo e, posteriormente, para primeiro
escrevente. Com a aposentadoria do senhor Anésio Prado, que era o
substituto (o titular era o Carlos Adalberto Bueno Neto e o cartório é de
19 de março de 1937, dia do meu patrono, São José), ganhou o cargo do
então governador. Era praxe. Em 1960, já se falava que poderia acabar a
passagem dos cartórios de pai para filho. Então, ele passou o cartório
para o filho, Carlos Alberto Bueno Neto, que era advogado. Em 1975, o
Anésio Prado, então com 73 anos, falou que iria se aposentar e sugeriu meu
nome para ocupar o cargo de oficial maior (substituto).
P – Por que o Doutor
Anésio Prado indicou seu nome para o cargo?
R – O regime era de
concorrência livre entre os cartórios (no início eram quatro e hoje são
10), Assim, fiquei sabendo que as financeiras estavam registrando
documentos de alienação fiduciária. O banco pagava para o vendedor o
veículo à vista e recebia do comprador em 24 prestações iguais. O Banco
Central exigiu que todos os contratos de alienação fiduciária fossem
registrados em títulos e documentos para ter validade contra terceiros. Em
cima desses financiamentos, o Banco Central sacava letras de câmbio para
jogar no mercado. Sem o registro, as financeiras poderiam financiar 10 e
jogar 100 na praça. Então, existia uma regulamentação. Eu passei a visitar
as financeiras e a oferecer os serviços. Explicava que tinha criado um
departamento só para atender alienação fiduciária. Levava os contratos,
registrava e trazia de volta. Sem saber, estava criando o “cartório
delivery”. Este foi o diferencial.
P – Como funcionava, na
prática, o “cartório delivery”?
R – Os encarregados
das financeiras estranhavam quando eu falava em retirar e entregar os
contratos registrados. Eles nunca tinham visto isso. Então, de uma pilha
de 100 contratos, davam-me 10 pra ver como funcionava. Eu trazia para o
cartório, registrava rapidinho e levava de volta. Mostrei que enquanto ele
tinha que arrumar um office-boy para levar toda documentação e
depois retirar, eu fazia tudo rapidamente. Certa vez, um desses
encarregados comentou que gostou da minha visita. Disse que trabalhava com
outro cartório, mas iria mandar alguns contratos. De fato, mandou um rapaz
que chegou a minha mesa e entregou-me alguns contratos. Aí, falei para o
garoto, vai ao outro cartório e na volta passa aqui, que os contratos já
estarão prontos. Quando ele voltou, sentou numa cadeirinha e ganhou, como
todos os outros, uma revista do Pato Donald, um drops Dulcora e um bom-bom
Sonho de Valsa. Depois, comentou com o seu chefe, que só os contratos
entregues ao 3º RTD tinham ficado prontos. ‘Aquele rapaz do 3º é gente
fina; super atencioso...’ Foi assim que fui fazendo uma clientela, e o
cartório crescendo. Resultado: em dois anos, o 3º saiu do último lugar e
tornou-se o mais rentável.
P – Como nasceu a ideia
de aproximar o “cartório” dos estudantes de Direito?
R – Estudei cinco
anos numa faculdade de Direito e nunca ouvi falar em cartório. Não se
explicava nem o que cada especialidade fazia. Os futuros acadêmicos de
Direito serão os futuros clientes dos cartórios. Não só de títulos e
documentos, mas também dos tabelionatos, protesto, dos registros e assim
por diante. Era interessante que conhecessem. Então, passei a visitar as
faculdades de Direito da Capital e da Grande São Paulo, procurava as
turmas do quinto ano. Dizia já que vocês não têm a disciplina de Direito
Notarial e Registral, vou explicar como funcionam. No inicio, as
faculdades começaram a mandar turmas pequenas. Montei um pequeno auditório
para 20 lugares, um funcionário só para atendê-los e um vídeo que mostrava
como funcionava o cartório. Também entregava a eles uma espécie de
cartilha. Fazia sempre marketing institucional. Levava junto todas
as especialidades. Seria muito egoísmo, de minha parte, falar só de
Títulos e Documentos. Simultaneamente, começamos a editar o Boletim do
3º RTD, enviado também para esses futuros advogados. Cheguei a receber
uma média de 1200 a 1.500 estagiários por ano. Depois, eles passavam a
atuar nos escritórios de advocacia, bancos, financeiras, imobiliárias.
Quando eles tinham um contrato para registrar, vinham até aqui. Era
interessante porque o primeiro contrato, eles não queriam deixar no
balcão; faziam questão de entregar na minha mão. Por gratidão. Criei uma
mentalidade: todo documento importante, deve ser registrado.
P – Nessa época, quase
os “cartórios” foram estatizados?
R – Havia pressão
por parte dos militares para estatizar os cartórios. Então, o então
Presidente da República, Ernesto Geisel, chamou o ministro da Justiça -
Armando Falcão -, e disse que queria estatizar os cartórios. O Armando
Falcão entrou em pânico. Ele era titular de um cartório de registro de
imóveis no Rio de Janeiro. Ligou para os colegas. Ai, nasceu a ideia de
que como o cartório era pessoa física, os estados teriam que indenizar os
oficiais dos cartórios. Como tirar dinheiro da saúde, dos transportes,
educação, para dar aos donos de cartórios? Os governadores vão reclamar,
vão vir aqui em Brasília. Naquela época, no Estado de São Paulo, os
cartórios já recolhiam 47% do que recebíamos (27%, para o Estado e 20%,
para o IPESP). Não gastavam nada com funcionários, equipamentos e recebiam
27%. O Armando Falcão começou a colocar tudo isso para o presidente e
lançou a seguinte ideia: o senhor diz que vai estatizar a partir da
vacância. Devagar, conforme forem vagando, o Estado vai estatizando. Uma
lei federal regulamentaria essa estatização. Isso foi em abril de 1977(o
pacote de abril).
P – Nesse período, o
senhor tornou-se oficial-maior (substituto)?
R – Em 1978, no
final da Copa da Argentina, o oficial do cartório sofreu um infarto e
morreu. E ai? Sou estatizado? Não sou? A Lei era federal, para o Brasil
inteiro. Até que se resolvesse esse impasse, a Corregedoria me nomeou
porque eu era o oficial imediato do oficial que faleceu. Já em 1979, no
governo Figueiredo, houve a regulamentação. Isso parecia fácil. Mas não
era. Cada Estado tinha uma legislação diferente. Entraram com 197 emendas
diferentes. O presidente mandou retirar. O que aconteceu? Durante esse
tempo, os interinos (substitutos) começaram a ficar nos cartórios. Aí, eu
passei a investir e coloquei pra funcionar um novo sistema eletrônico de
processamento de dados. Meu negócio era ver o cartório se modernizar,
mesmo que eu não fosse ficar com o cartório.
Poderia passar para outro
oficial ou para o Estado, mais iria passar um cartório de primeiro mundo.
Fui implantando e modernizando. Cada nova implantação de protocolo,
índices, regimento de custas, eu apresentava para o Juiz Corregedor da
época, Doutor Gilberto Valente da Silva. Isso também fez com que os
interinos passassem a ser vistos de maneira diferente. Estava há quase
cinco anos como interino e sem solução. Foi aí que entrou uma Emenda
Constitucional dizendo que quem estivesse há cinco anos como interino,
seria efetivado no cargo. Foi aí que fui efetivado e cheguei à
titularidade junto com outros colegas. Isso foi em 1983 (artigo 208 da
Constituição Federal anterior a que hoje vivemos).
P – O senhor levou este
modelo de administração também para as entidades de classe.
R – Em 1984 fui
eleito presidente da Associação dos Serventuários do Estado de São Paulo,
hoje ANOREG São Paulo (Associação dos Notários e Registradores). Era uma
associação fundada em 1928 e ainda não tinha sede própria. Não tive
dúvidas. Na primeira reunião da diretoria, falei que não era possível uma
associação de notários e registradores não ter sede própria. A entidade só
atendia os colegas da Capital. O interior do Estado era praticamente
esquecido. Muitos colegas não tinham onde fazer um requerimento, tirar uma
cópia. Vamos pensar, disseram alguns colegas da diretoria. Não é que vamos
pensar. Eu já comprei. Quem vai pagar? Eu falei: calma, vou percorrer os
cartórios, vou para o interior, vou arrumar o dinheiro. Comecei a fazer
reuniões em diferentes cidades do interior. Fizemos uma boa reforma e no
dia 4 de setembro de 1985, foi inaugurada a sede própria da associação.
Lá, tinha máquina, secretária, fui agregando serviço para os colegas do
Estado e não só para a Capital.
P – Como nasceu o
Instituto de Registro de Títulos e Documentos?
R – As demais
especialidades tinham uma associação nacional. Apesar de ter surgido no
Brasil em 1903, o Registro de Títulos e Documentos não tinha. A verdade é
que os cartórios de Títulos e Documentos eram o “primo pobre” dos
cartórios. Com exceção de São Paulo, Campinas, São José do Rio Preto,
Santos, a maioria é anexo do Registro de Imóveis. Nós criamos o instituto
em 1988. Na fundação, apenas 27 colegas. Hoje, existem 1.500 cartórios de
Títulos e Documentos, dos quais cerca de 500 são associados. Mostramos
nossa experiência. Primeira regra: tirar a “bundinha” da cadeira e ir
atrás do cliente, porque se você não explicar as vantagens dos Títulos e
Documentos, ele não sabe. Nem a faculdade ensina. O leigo não sabe.
Depois, tivemos a oportunidade de ver que aqueles colegas que seguiam
nossa ideia, tiveram sucesso muito grande. Vou dar um exemplo: Franca e
Ribeirão Preto. Ribeirão Preto tem uma população três, quatro vezes maior
do que Franca. Mas o que acontece: o Lincoln Bueno Alves (1º Oficial de
Registro de Imóveis, Títulos, Documentos, Civil, Pessoa Jurídica e 1º
Tabelião de Protestos de Letras e Títulos de Franca – SP) visitou
imobiliárias, financeiras, bancos e hoje, posso dizer, que ele registra
cinco vezes mais do que Ribeirão Preto.
P – Em sua gestão no
Instituto, quais ações merecem destaque?
R – Estou no
instituto desde 1988. Em 1991, passei para o José Flávio Bueno Fischer
(atual presidente do Conselho Federal do Colégio Notarial do Brasil). Ele
tocou durante quatro, cinco meses e depois teve problemas particulares. O
Instituto praticamente parou por dois anos e meio. Retomei em 1994,
passamos a editar boletim mensal, hoje atendemos uma média de 15, 20
consultas por dia, a página é atualizada diariamente, um milhão e 400 mil
visitas, portal de informação. www.irtdpjbrasil.com.br. Em dezembro de
2009 promovemos o 7º Congresso a bordo de um navio de Cruzeiro. A
repercussão foi muito boa. O IRTDPJ Brasil também foi o primeiro do País
que realizou duas webconferências em São Paulo. A primeira, com 400 e a
segunda, mais de 600 registradores, com auditoria. Também editamos um CD
com as 220 edições do Boletim do Instituto para consulta dos associados.
P – Com tudo isso, a
última eleição foi disputadíssima?
R – Foram duas
eleições: uma pelo instituto e outra pelo sindicato. A ideia era que o
instituto atuasse como órgão técnico e o sindicato com as outras
atribuições. Por incrível que pareça, deu empate na eleição do Instituto
(28 a 28). O outro candidato era Durval Halle, que responde por um
cartório no Rio de Janeiro. Ele é juiz aposentado, se antecipou e disse
que nesse caso aplica-se o Código Eleitoral e o mais velho deve ser
eleito. Como eu era o mais velho, fiquei no cargo. Depois, foi feita a
eleição do sindicato e ai ele venceu. O Instituto continua no seu ritmo.
P – Como nasceu a ideia
de sair candidato a deputado federal?
R – Num congresso do
IRIB (Recife), em 1985, eu levantei e disse que haveria a eleição para
deputados federais, que fariam parte da Assembléia Constituinte a partir
do ano seguinte. Se hoje nós estamos privatizados, agora podemos ser
estatizados. Minha idéia: que cada Estado eleja um deputado federal. Uma
bancada de 20, 25 deputados era muito interessante. Eles conheceriam bem
nossa função, falariam com os outros deputados. Todo mundo bateu palmas,
falaram vamos fazer. Quando voltei para São Paulo, ninguém quis sair
candidato, por isso, a mim foi atribuída a missão. Tanto falaram ‘você
vai, você vai’, que eu acabei indo. Só dois Estados lançaram candidatos. O
Rio de Janeiro lançou o Adolfo de Oliveira (registrador de imóveis, de
Petrópolis) e eu. Nunca tinha saído candidato. Junto com meu amigo Sérgio
Carreira, fizemos o material da campanha.
P – Qual foi o apoio que
o senhor recebeu dos colegas?
R – Os 18
registradores de imóveis deram mil dólares cada um e três cartórios de
protesto me deram mil dólares. Foi o que consegui de apoio. O resto foi do
meu próprio bolso. Naquela época, o Estado de São Paulo tinha 512
municípios e nós visitamos 450 cidades mais ou menos. Viajamos muito.
Mostrava o material e pedia apoio dos colegas. Eu sou oficial de cartório
e comigo você tem a garantia de que irei trabalhar para a classe. Alguns
ajudaram. Outros não acreditavam. Por incrível que pareça, houve muita
inveja. Resultado: recebi 21.049 votos. Faltaram cinco mil votos para ser
eleito. Fiquei como quinto suplente, pela coligação PTB/PL. Assim que saiu
o resultado, alguns colegas ligaram e disseram, ‘puxa, se eu soubesse que
você iria ter essa votação, teria ajudado e conseguido mais votos’. Sem
contar aqueles que ligavam e falavam que na sua cidade, tinha conseguido
400 votos, 500 votos, esquecendo-se de que o Tribunal Regional Eleitoral,
no final da eleição, apresenta quantos votos você recebeu, comarca por
comarca. O que salvou foi que o Adolfo Oliveira, do Rio, com 8.200 votos,
foi eleito e ajudou muito. O deputado Michel Temer também ajudou. Entendia
bem a nossa atividade. Com muita luta, na Constituinte de 1988, nós
conseguimos a aprovação do artigo 236, regulamentado pela Lei nº 8.935/94,
que só saiu seis anos depois, no dia 18 de novembro de 1994. Uma
lei que não só mantinha a privatização, como também determinava que dali
para frente, nomeação só por concurso público e dava até o prazo de seis
meses da vacância para a realização do concurso. Quem colocou o concurso
na Lei fomos nós, não foi a oposição.
P – O senhor também foi
pioneiro na implantação de um programa sobre “cartórios” na televisão
brasileira?
R – Por meio do
Doutor Ricardo Dip (Juiz-Desembargador do Tribunal de Justiça de São
Paulo), muito amigo de um bispo e que conhecia os proprietários da Rede
Vida de Televisão, apresentei o projeto de um programa sobre cartórios.
Ele achou que não iria render mais do que três ou quatro programas. Mesmo
assim, me convidou para participar da “Tribuna Independente”, um programa
de debates feito ao vivo de São José do Rio Preto. Eles fizeram chamadas
no ar dizendo que nós iríamos responder dúvidas sobre cartórios. A “Rede
Vida”, na época, cobria 87% do País. Foi uma ‘saia justa’. Imagina ter que
responder sobre todas as especialidades, sem contar que cada Estado tem
normas diferentes. Uma hora e meia. Foi o terceiro programa que mais
recebeu perguntas.
P – Com esse ‘ibope’, a
emissora topou ceder horário para o programa?
R – Logo depois, o
dono da emissora elogiou muito e perguntou ‘que dia e que horas o senhor
quer o programa’! Eu pedi o sábado, às 11 horas, para atender os
estudantes de Direito. Fiz cartazes e mandei para todas as faculdades de
Direito divulgando o dia e o horário do programa. Gravava em São Paulo.
Tratava das cinco especialidades. O custo era de 27 mil reais por mês. A
iniciativa durou 10 meses. Não tinha patrocínio. Os colegas ajudaram
apenas no início. Depois, apareceu a TV Justiça. Aí, foi mais fácil.
Mostrei os programas feitos na “Rede Vida” e me deram três horários
semanais. O mesmo programa era repetido duas vezes. Ficamos dois anos no
ar. Por uma questão de custo, a gente gravava seis programas de uma vez em
um hotel das 10 às oito da noite. As entrevistas eram feitas pela Priscila
Agapito (atual tabeliã do 29º Tabelionato de Notas da Capital). A Patricia
Ferraz (Registro de Imóveis e RTD de Diadema/SP e atual presidente da
ANOREG São Paulo) também apresentava o programa. Até que um dia, a ANOREG
Brasil quis que o programa fosse feito em Brasília. O custo lá em cima.
Não deu certo.
P – Os concursos
também estão contribuindo para melhorar a imagem dos cartórios.
R – Minha filha, a
Luciane de Arruda Miranda Siviero, 28 anos, fez o 5º concurso, pegou o
137º lugar e assumiu o registro civil (deficitário) da cidade de Santo
Bento de Sapucaí. Ajeitou o cartório e adotando sugestão nossa, a cada
nascimento registrado, os pais ganhavam uma muda de árvore. A planta tem a
idade exata do filho. A ideia repercutiu muito na cidade. Foram feitas
matérias nos jornais. Ela fez o 6º concurso e hoje está em Iperó, que tem
o dobro de habitantes da outra cidade. Continua estudando e deve prestar
outros concursos.
P – Como ficou o 3º RDT
com a implantação da figura do Distribuidor nos títulos e documentos da
Capital?
R – Sem dúvida, foi
um problema que enfrentamos. Por conta do nosso trabalho, nós chegamos a
quase 50% do movimento da capital. Os outros cartórios iniciaram um
movimento para que fosse criado o distribuidor. As leis 6015/73 e 8.935/94
não previam essa distribuição na nossa atividade, mas a Corregedoria
entendeu que deveria fazer e foi feito. Começou em janeiro de 2002. Com
dificuldades, conseguimos nos adaptar.
P – Qual o futuro dos
serviços notariais e de registro?
R – Nós temos que
continuar nossa luta. Temos que divulgar nossa atividade, mostrar como é
importante a função do notário e do registrador, porque nós damos a
segurança jurídica. Este é o ponto. Aliás, vou conversar com o Professor e
Doutor João Grandino Rodas (Reitor da USP), sobre a possibilidade da USP
implantar o curso de Direito Notarial e Registral. Estamos partindo para o
sétimo concurso. É uma grande alternativa de mercado para os acadêmicos.
P – Pra
finalizar, qual a importância das Publicações INR, do Grupo SERAC,
para o desenvolvimento das atividades notariais e de registro?
R – Sem dúvida, é
muito importante. A primeira coisa que a gente faz pela manhã é ver o
‘Boletim’. A gente bate o olho, e tem tudo o que nos interessa, tudo que
saiu naquele dia. Aliás, o Herance e sua equipe estão de parabéns. Além
disso, o Dr. Herance participa dos principais eventos da categoria,
falando muito sobre assuntos de nosso interesse, principalmente ISSQN.
Quando o tema é a escrituração de receitas e despesas em Livro Caixa ele
diz aquilo que pode e não pode lançar em termos de Brasil. Quando a gente
leva uma pessoa com a categoria dele - linguagem fácil, ótima didática -,
logicamente é muito bem aceito por todos, qualquer que seja a região. |