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Textos extraídos de www.espacovital.com.br

Detalhes curiosos envolvem o sumiço dos 966 processos

        1) Os 966 processos - acondicionados em 170 caixas de papelão (no total 1.200 autos processuais, contados os apensos) - foram levados por "Jonathan" em 28 de outubro de 2005. Ele escreveu "RESEBI", assinou seu suposto prenome e não forneceu - nem lhe foi pedido - mais nenhum dado sobre sua pessoa.

       
2) A partir de novembro, alguns advogados passaram a pedir, na 10ª Vara e/ou no Arquivo Judicial,  vista de autos processuais que não foram localizados. 

       
3) Oficialmente, o sumiço foi comunicado em 12 de dezembro de 2005 pelo escrivão Plauto José Scapin, ao juiz Roberto Carvalho Fraga, titular de um dos dois juizados da 10ª Vara Cível. Fraga deu ciência dos fatos, no mesmo dia, ao então diretor do Foro, juiz Almir Porto da Rocha Filho.

       
4) Em 13 de dezembro de 2005 foi determinada a "manifestação do Arquivo Centralizado", sendo-lhe fixado o prazo de 48 horas. A empresa Recall do Brasil Ltda. silenciou,  sendo em 21 de dezembro de 2005 determinada a sua intimação, por mandado a ser cumprido em 24 horas, "com prazo igual para esclarecimentos".

       
5) A Recall do Brasil - que admite ser "a empresa responsável pela prestação dos serviços de busca e guarda, bem como gerenciamento do acervo documental junto ao Arquivo Judicial Centralizado do Estado do RS" respondeu - então, através de correspondência que veio de sua sede (que fica em Jundiaí, SP) - que a coleta na 10ª Vara Cível tinha sido programada para o dia 3 de novembro. Nessa data, ao tentar fazer o recolhimento,  tomou conhecimento de que as 170 caixas com processos já haviam sido levadas no dia 28 de outubro por "Jonathan" - pessoa que lhe é desconhecida.

       
6) A Recall do Brasil também sugeriu que os processos pudessem ter sido levados por alguém do Instituto do Amparo ao Menor Excepcional (Inamex) que "frequentemente retira papéis velhos ou usados do TJRS para serem reciclados".

       
7) O Inamex foi ouvido e informou que não fez nenhuma retirada de caixas com processos na 10ª Vara Cível e que desconhece a pessoa "Jonathan".

       
8) Em dezembro (sem data especificada) foi pedido pelo escrivão Marco Menghetti, da Vara da Direção do Foro, ao Serviço de Segurança, a disponibilização das imagens gravadas em 28 de outubro de 2005. A resposta foi a de que as cenas já tinham sido apagadas, porque ficam armanezanadas por apenas 15 dias, "a fim de preservar espaço no disco rígido do computador". 

 


 

Empresa privada foi contratada por R$ 314 mil mensais

para gerenciar o Arquivo Judicial e recolher processos

 

  O desdobramento do caso que envolve o sumiço de 170 caixas com processos judiciais em Porto Alegre trouxeram à tona - ainda que reservadamente, até este momento - algumas novidades. Entre elas, a de que o Arquivo Judicial Centralizado, que recebe processos de todas as comarcas do Estado, é um serviço privatizado.    

  A empresa paulista Recall do Brasil - com sede em Jundiaí (SP) - anuncia, na Internet, que "a terceirização do serviço de arquivamento é uma maneira prática e vantajosa de armazenar informações, processos e outros documentos importantes para as empresas". Afirma que "cada vez mais os setores vêm aderindo a essa solução". 

  A Recall do Brasil - que é um braço da multinacional Recall, com sede em Atlanta (Geórgia, EUA) propaga que "vem colaborando para a modernização e agilizamento da Justiça brasileira", dando como exemplos, de seus clientes, os tribunais do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. O conglomerado tem 240 diversos endereços, em cinco continentes e 23 países. Conta com 4.000 empregados e 78.000 clientes (http://www.recall.com/Recall/NorthAmerica/EN/AboutUs/CompanyOverview).

  Após regular processo licitatório, a Recall do Brasil  foi contratada, em 12 de junho de 2003, pelo Tribunal de Justiça do RS , para "a execução de prestação de serviços de busca (em todas as comarcas do Estado) e guarda de documentos", incluindo a administração do Arquivo Judicial Centralizado.

  O valor mensal do contrato era de R$ 314.000,00, onde estão incluídas "todas as despesas com materiais, mão-de-obra, leis sociais, tributos, impostos, taxas, emolumentos, cópias, serviços de terceiros, obrigações trabalhistas e previdenciárias, transporte, estadia, alimentação, ferramentas, equipamentos, maquinário, seguros, licenças, ligações provisórias e definitivas, e tudo, enfim, que se fizer necessário à perfeita execução deste ajuste".

  Em 8 de julho do mesmo ano o contrato foi aditado para estabelecer o pagamento seria de R$ 35.000,00 mensais "pelo serviço de gerenciamento do acervo, incluindo mão-de-obra e o licenciamento/instalação do serviço gerenciador". Pelo mesmo documento, a Recall assegurou-se ao direito de cobrar também serviços com valores mensais variáveis:

 

 

Serviço

Unidade

Valor unitário - R$

Serviço de gerenciamento do acervo (incluindo mão-de-obra e o licenciamento/instalação do sistema gerenciador)

Mês

R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais)

Serviço de coleta da massa documental

Caixa TJRS

R$ 2,20 (dois reais e vinte centavos)

Serviço de triagem

Caixa TJRS

R$ 0,30 (trinta centavos de real)

Processo indexado

Processo

R$ 0,40 (quarenta centavos de real)

Processo desarquivado

Processo

R$ 8,00 (oito reais)

 


Várias instigantes perguntas ainda estão sem respostas, no quiproquó surgido depois que foi oficialmente confirmado o sumiço de 170 caixas que continham 996 processos (1.200 volumes de autos processuais), que desapareceram entre o corredor fronteiro ao cartório da 10ª Vara Cível do Foro Central e o Arquivo Judicial, na Av. Farrapos, em Porto Alegre.

  As questões não respondidas são, até agora, pelo menos sete:

1. Por que a Polícia Civil - que foi cientificada somente na última semana de abril - não foi convocada, já em novembro,  a investigar o destino dos processos ?
 
2. Quem são as partes litigantes (autores e réus) nos processos desaparecidos?
 
3. Há especialmente alguma pessoa física ou jurídica que seja ré em grande número das ações cujos autos processuais estão desaparecidos? 
 
4. Considerando ter sido apurado que o transporte foi feito em "carrinho de supermercado", desde o 8º andar, até um caminhão estacionado na frente do prédio do foro - sendo assim necessárias várias idas e vindas - como a segurança do andar térreo não detectou o movimento seguramente inusual ?
 
5. Por que as cenas gravadas pelas câmeras de segurança são apagadas a cada 15 dias - quando o recomendável, e possível, seria a usual transposição das imagens gravadas no disco rígido para CD rom ?

6. Por que foram entregues os processos a uma pessoa que simplesmente assinou "Resebi 28/10/2005" (com este erro de grafia e em precário talhe de letra) e que somente apôs seu possível nome ("Jonathan") sem que fossem colhidos dados completos da sua cédula de identidade ? 

7. Por que não foi exigida de "Jonathan" a credencial da empresa Recall do Brasil Ltda. única autorizada - por contrato - a fazer o recolhimento e o transporte ?.

Textos extraídos de www.espacovital.com.br