Ministro Cezar
Peluso assume no STF
e firma compromisso
com a sociedade
Em seu primeiro discurso como
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Cezar
Peluso afirmou que o ministro Gilmar Mendes deixa “a difícil
missão de sucedê-lo”, ao elogiar a gestão de seu antecessor, a
quem serviu com “lealdade e ética retilíneas”.
Peluso homenageou Mendes ao dizer que
ele “emprestou a sua intrepidez a defesa do prestígio desta Corte”
e também na consolidação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Citou ainda as “conhecidas e bem sucedidas inovações que aqui e
ali introduziu de modo marcante e irreversível” que explicam a
inédita aprovação manifestada em editoriais dos mais importantes
jornais do país.
“Seria difícil traduzir em palavras a
intensidade com que vivo esse instante”, frisou o novo presidente
ao se definir como homem comum, avesso por índole e radical
convicção à notoriedade e a autoreverência, mas que se obriga a
“fazer praça da imensa honra de chegar, pela via sempre
compensadora do trabalho, ao mais elevado posto que transcende uma
carreira eleita há mais de quatro décadas como projeto de toda uma
vida”.
Segundo ele, foram mais de 15 mil dias
desde que assumiu a primeira comarca no interior de São Paulo até
essa cerimônia que se incorpora em definitivo a sua memória. Me
“envaidece ascender em tão honroso cargo num singular momento
histórico”, destacou Peluso ao dizer que o país vive
transformações de ordem econômica social e política numa posição
de relevo do cenário internacional e que, em poucos anos será a
quinta maior economia do mundo.
O ministro afirmou que a estabilidade
institucional do país também é obra do Supremo, que tem tido papel
eminente e de grande contribuição sob injusta acusação de ativismo
político porque “consciente do dever político em dar respostas
constitucionais necessárias a demandas sociais oriundas da
incapacidade de soluções autônomas”.
Sobre a homenagem prestada pelo decano
da Corte, ministro Celso de Mello, ele agradeceu as palavras de
quem considera “uma combinação rara nos dias de hoje de sólida
cultura jurídica, impecável correção ética e inexcedível elegância
do convívio colegiado”.
Luta por direitos sociais
Como presidente do Comitê Latino
Americano de Revisão das Regras Mínimas de Tratamento de Presos,
ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), o ministro pediu que
o Brasil seja sede de uma Universidade Internacional de Segurança
Pública para buscar soluções inteligentes de combate aos crimes
sem fronteiras que geram instabilidades regionais e ameaçam a paz
no mundo.
“Nenhum país pode enfrentar sozinho a
epidemia universal da violência, mas o grau de cooperação entre os
governos ainda está muito aquém do nível de cooperação percebida
entre as redes do crime organizado.” Um dos objetivos da
universidade seria estimular o desenvolvimento científico e
tecnológico dos aparatos policiais na integração com a comunidade.
Sociedade
Ele lembrou que o povo confia e
recorre ao Supremo como em casos de “mais íntimo reduto da
subjetividade humana” como o aborto, a eutanásia, as cotas
raciais, a união de homossexuais e tantas outras.
“Não pode a sociedade irredutivelmente
dividida nas suas crenças, pedir-nos a esta Casa soluções
peregrinas que satisfaçam todas as expectativas e reconcilie todas
as consciências. Nosso compromisso nessa quase tarefa prosaica
cotidiana é renovar o ato de fé na supremacia da legalidade
democrática, na valência de uma ordem jurídica justa e nos grandes
ideais humanitários consubstanciados no rol dos direitos
fundamentais preservando e transmitindo como legado desta às
futuras gerações os valores que tornam a vida humana uma
experiência digna de ser vivida e como tais definem uma
civilização”, disse.
Conselho Nacional de Justiça
Ao destacar a missão do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), o ministro disse que a primeira tarefa
é velar pela autonomia do Poder Judiciário, pelo cumprimento do
Estatuto da Magistratura, guardar a dignidade, e independência e a
autoridade dos magistrados. Para o ministro, o CNJ é um “cabal e
seleto mecanismo de aprimoramento” da Justiça.
“Não há outro caminho ao CNJ senão o
de convencer a magistratura, por ações firmes, mas respeitosas de
que somos todos cada qual nas esferas próprias de competência
constitucional, aliados e parceiros na urgente tarefa de repensar
e reconstruir o Poder Judiciário como portador das mais sagradas
funções estatais e refúgio extremo da cidadania ameaçada”,
enfatizou.
Ele destacou ainda que “se for preciso
agir com rigor e severidade perante os desmandos incompatíveis com
a moralidade, a austeridade, a compostura e a gravidade exigido a
todos os membros da instituição o testemunho público da minha
dedicação incondicional por mais de quarenta anos na magistratura,
não autoriza nenhum magistrado ainda quando discorde, duvidar de
que não condição de presidente do Supremo e do Conselho Nacional
de Justiça vou fazê-lo sem hesitação como já o fiz quando exerci
por dois anos a corregedoria do Tribunal de Justiça de São Paulo,
mas por amor à magistratura. Aliás, só quem ama, deveria ter o
poder de punir”.
Ele afirmou que quer ser lembrado como
alguém que contribuiu para recuperar o prestígio e o respeito
público a que fazem jus os magistrados e a magistratura do seu
país.
Ao finalizar seu discurso, o ministro
disse que o STF é guardião da liberdade e citou poema de Cecília
Meireles: “liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta e
não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”.
Leia a íntegra do discurso do ministro Cezar Peluso.
Notícias STF
- 23 de Abril de 2010