Todos os indicadores econômicos foram favoráveis neste final de 2009. E os
dados da economia apontam para um 2010 com crescimento. Crescem os
investimentos externos e o crédito disponível em níveis recordes. O nível de
emprego parou de cair. A produção industrial tem crescido. Até a poupança
interna mostra sinais de melhora. A classe média assume um papel
preponderante no mercado. Um novo consumidor surge com grande avidez e
exigências nunca vistas.
O
mundo todo está falando, estudando e procurando conhecer melhor os chamados
BRIC countries – Brasil, Rússia, Índia e China. Em qualquer
universidade estrangeira que se estude ou lecione, só se ouve falar nos BRIC.
Muitas universidades e pensadores querem trocar a Rússia pela Indonésia,
falando em BIIC’s, mas nenhum pensador sério fala em tirar o Brasil dessa
lista.
E,
quem tiver uma visão desapaixonada e crítica, e não for na onda só dos
especuladores financeiros, vai chegar à mesma conclusão que vários
estudiosos estão chegando e que nós vimos dizendo já há alguns anos(*). A
China tem tido um crescimento espetacular. Mas é preciso considerar que a
base sobre a qual esse crescimento é medido era muito baixa e pobre. Além
disso, é preciso considerar os aspectos jurídicos, políticos, de idioma, de
ausência de democracia, antes de pensar na China a longo prazo. Como será a
China quando a sua população exigir um governo democrático? Como ficarão os
custos de produção quando os trabalhadores chineses exigirem seguridade
social, saúde, participação nos resultados? O que fazer com os 800 milhões
de campesinos no mais atrasado estado de desenvolvimento agrícola? Estas e
outras questões invadem as salas das universidades do mundo inteiro.
Será a Índia mais fácil? Vamos nos lembrar que há mais de 1.652 dialetos na
Índia, 325 idiomas sendo 22 idiomas oficiais. 22% dos miseráveis do mundo
estão na Índia e um complexo sistema de castas difícil de ser compreendido
pelos ocidentais. Assim, montar uma indústria na Índia é uma tarefa
hercúlea. Há áreas (clusters) de grande desenvolvimento como Bangalore no
ramo da tecnologia. Mas a Índia como um todo é um dos mais complexos países
do mundo.
Dos
BRIC’s, o Brasil é o único país ocidental, com sistema jurídico conhecido
com base no direito romano. Os costumes, o idioma, o modo de viver é
bastante semelhante ao dos grandes países investidores, os chamados G6 –
Estados Unidos, alguns países europeus e Japão. A mão-de-obra brasileira,
quando treinada, tem mostrado ser capaz de altos índices de produtividade,
comparáveis aos do primeiro mundo. O mercado interno é muito atrativo. Somos
um dos maiores mercados do mundo e a oitava maior economia dentre os 192
países que compõem a ONU. Até geograficamente somos privilegiados.
Com
tudo isso, sem dúvida, o Brasil irá se consolidar como um dos mais atraentes
destinos para o capital internacional e se tornar uma das mais importantes
plataformas exportadoras do século XXI. Montar uma fábrica no Brasil é, em
relação aos demais países e com perspectiva de longo prazo, mais fácil e
seguro, mesmo com o chamado "custo Brasil" e com os problemas que temos em
nosso sistema portuário e de infraestrutura. É bom lembrar que somos uma
democracia e que nossas conquistas econômicas e sociais foram feitas
democraticamente.
Assim, terá medo de 2010, o empresário que não acreditar em nossas
possibilidades e ficar esperando para ver o que irá acontecer.
Terá medo de 2010 o profissional que não se especializar para se tornar a
cada dia mais excelente no que faz.
Terá medo de 2010 o estudante que não estudar e ainda acreditar que poderá
"empurrar com a barriga" o seu curso e que seu diploma resolverá todos os
problemas de emprego.
Terá medo de 2010 aquele empresário que não compreender que qualidade,
produtividade, extrema preocupação com custos, política de caixa,
simplicidade, tecnologia e gente excelente são hoje os fundamentos do
sucesso.